Câncer de mama em mulheres jovens: sinais, causas e o que fazer

Mulher com menos de 40 anos pode ter câncer de mama? Entenda os sinais de alerta, o papel da genética e por que ir ao mastologista a partir dos 25 anos.
Dra. Nayara Carvalho mostra imagens de ultrassom mamário impressas a uma paciente no consultório

Uma pergunta que ouço muito no consultório, e que respondi também em entrevista à Rede 98 em outubro de 2026, é esta: mulher com menos de 40 anos pode ter câncer de mama? Pode. É menos comum do que depois dos 40, mas acontece, inclusive em mulheres que não têm nenhum caso da doença na família. Explico aqui o que muda nessa faixa de idade, quais sinais merecem atenção e por que a consulta com o mastologista deve começar antes da primeira mamografia.

Mulher jovem pode ter câncer de mama?

Sim. O câncer de mama é o câncer que mais acomete e que mais mata mulheres no Brasil, e só em Minas Gerais a estimativa do INCA é de 8.430 novos casos em 2026. A maior parte deles aparece depois dos 40 anos, mas uma parcela atinge mulheres mais jovens.

O que torna essa situação diferente é que não existe um rastreamento de rotina para a mulher abaixo de 40 anos que tenha risco habitual. Os estudos que mostram benefício da mamografia de rotina foram feitos a partir dessa idade. Por isso, na mulher jovem, o diagnóstico muitas vezes acontece de outro jeito.

Como o câncer de mama costuma ser descoberto na mulher jovem?

Na maioria das vezes, é a própria mulher que palpa um nódulo na mama. Ela procura o mastologista, fazemos os exames de imagem e a biópsia, e aí chegamos ao diagnóstico.

Isso é o oposto do que eu gostaria. Com a mamografia, o objetivo é encontrar o câncer antes de ele dar sinais, quando ainda nem é possível senti-lo. Quando o diagnóstico é precoce, a chance de cura chega a até 95%. Por isso é tão importante que a mulher jovem conheça o próprio risco e não deixe passar um sinal de alerta.

Vale lembrar: a grande maioria dos nódulos em mulheres jovens é benigna, como o fibroadenoma e os cistos. Mas só a avaliação médica, e muitas vezes a biópsia, consegue confirmar isso.

Sinais que merecem consulta, em qualquer idade

  • Nódulo ou caroço novo na mama ou na axila
  • Pele da mama retraída, avermelhada ou com aspecto de “casca de laranja”
  • Saída de secreção pelo mamilo, principalmente com sangue ou de um só lado
  • Mamilo que passou a ficar retraído
  • Mudança no formato ou no tamanho de uma das mamas

Se você notou algum desses sinais, não espere a idade da mamografia. Procure um mastologista.

Qual é o papel da genética?

Quando o câncer de mama aparece em uma mulher jovem, sempre investigo se existe uma mutação genética relacionada, como nos genes BRCA1 e BRCA2. Muitas vezes essa paciente é a primeira pessoa da família a ter o diagnóstico, e é justamente o teste dela que revela uma mutação até então desconhecida.

Essa informação é importante por dois motivos:

  1. Para a própria paciente, porque pode mudar o planejamento do tratamento e do acompanhamento.
  2. Para a família, porque irmãs, filhas, mãe e até os homens da família podem ter herdado a mesma mutação e se beneficiar de um rastreamento personalizado.

E sim, homem também pode ter câncer de mama. É mais raro, mas acontece, e o risco é maior nas famílias com mutação genética.

A partir de que idade a mulher deve ir ao mastologista?

Minha recomendação é: a partir dos 25 anos, passe por uma consulta com o mastologista. Nessa consulta, avaliamos:

  • seu histórico familiar (pai, mãe, irmãos e outros parentes com câncer de mama, ovário ou outros tumores);
  • se existe mutação genética conhecida na família;
  • se você tem nódulos benignos que precisam de acompanhamento;
  • e, a partir disso, quando você deve começar a fazer mamografia.

Para a mulher de risco habitual, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos (veja mais em Rastreamento do câncer de mama).

Para a mulher de alto risco, que é um grupo pequeno, o rastreamento é personalizado: pode começar mais cedo e, em mulheres muito jovens, costumamos associar a mamografia à ressonância magnética das mamas.

Se é a sua primeira vez, veja o que levar e o que esperar da primeira consulta com o mastologista.

O autoexame substitui a consulta?

Não. Conhecer o próprio corpo é ótimo, e muitas mulheres jovens descobrem o nódulo justamente assim. Mas o autoexame não encontra os tumores pequenos que a mamografia encontra, e não substitui a avaliação do seu risco por um especialista.

Perguntas frequentes

Mulher com menos de 40 anos deve fazer mamografia?

Se o risco é habitual e não há sintomas, a mamografia de rotina começa aos 40 anos. Se há alto risco (por histórico familiar ou mutação genética) ou algum sinal de alerta, o mastologista pode indicar exames antes disso.

Quem não tem casos na família pode ter câncer de mama jovem?

Pode. Muitas pacientes jovens são o primeiro caso da família. Por isso o histórico familiar ajuda, mas não exclui o risco.

Ultrassom serve como rastreamento para mulher jovem?

O ultrassom é um ótimo exame para investigar um nódulo palpável na mulher jovem, mas não substitui a mamografia nem a ressonância no rastreamento de alto risco. A escolha do exame depende da sua idade e do seu risco.

Com que frequência devo voltar ao mastologista?

Depende da avaliação. Mulheres de risco habitual sem alterações costumam fazer consulta anual; quem tem alto risco ou nódulos em acompanhamento pode precisar de intervalos personalizados.

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