Rastreamento do câncer de mama: o que dizem as evidências e as diretrizes

As evidências e as diretrizes brasileiras do rastreamento mamográfico: por que começar aos 40 anos, repetir anualmente e até quando manter.
Dra. Nayara Carvalho de Sá, mastologista em Belo Horizonte, analisa uma mamografia no negatoscópio e anota a orientação no receituário

O rastreamento do câncer de mama — a busca ativa da doença em mulheres sem sintomas — é a estratégia com maior impacto comprovado na redução da mortalidade pelo tumor. Neste artigo, apresento o que dizem as evidências científicas e as diretrizes brasileiras sobre quando começar, com que frequência e até quando fazer a mamografia de rastreamento.

Por que rastrear? O peso do diagnóstico tardio

O câncer de mama é o tumor maligno mais incidente nas mulheres em todo o mundo (excetuando o câncer de pele não melanoma) e a causa mais frequente de morte por câncer na população feminina. O estadiamento no momento do diagnóstico é um dos principais preditores de cura — e é aqui que está o problema brasileiro: segundo o estudo AMAZONA, 76,2% das pacientes brasileiras foram diagnosticadas em estágios mais avançados, o que impacta diretamente a sobrevida.

A mamografia é o único método com redução de mortalidade comprovada

A mamografia é a pedra fundamental do rastreamento: é o único método isolado com redução de mortalidade demonstrada em estudos robustos. Na análise de mais de meio milhão de mulheres de 40 a 69 anos, o rastreamento mamográfico reduziu em 34% a mortalidade por câncer de mama e em 25% a incidência de câncer em estágio avançado (Duffy et al., 2020 — Figura 1). Não existem estudos controlados que validem outros métodos (ultrassonografia ou ressonância magnética) isoladamente para rastreamento populacional.

Gráfico: incidência cumulativa de câncer de mama fatal em mulheres submetidas e não submetidas ao rastreamento mamográfico
Figura 1: incidência cumulativa de câncer de mama fatal em mulheres submetidas e não submetidas a rastreamento mamográfico.

O cenário brasileiro: cobertura muito abaixo do ideal

Os estudos que validaram a mamografia como método de rastreamento demonstraram efetividade quando 70% ou mais da população-alvo realizava o exame — patamar recomendado pela Organização Mundial da Saúde. No Brasil, menos de 25% da população-alvo consegue fazer o exame pelo Sistema Único de Saúde, o que ajuda a explicar as estatísticas de mortalidade crescente pela doença no país.

O que recomendam a SBM, o CBR e a FEBRASGO

Início e periodicidade: mamografia anual a partir dos 40 anos

Para mulheres de risco habitual, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) e a FEBRASGO recomendam rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos. Veja aqui como é o exame de mamografia na prática.

Até quando rastrear?

Acima dos 70 anos, as recomendações internacionais não são homogêneas. A orientação conjunta SBM/CBR/FEBRASGO é individualizar: manter o rastreamento enquanto a mulher tiver boa saúde e expectativa de vida de pelo menos 7 anos, avaliando cada caso com a paciente.

E quando o rastreamento encontra uma alteração?

A maioria dos achados de rastreamento é benigna. Quando a imagem exige esclarecimento, o próximo passo costuma ser uma biópsia guiada por imagem — procedimento ambulatorial, com anestesia local, que confirma o diagnóstico e permite planejar o tratamento no estágio mais precoce possível.

Agende seu exame em Belo Horizonte

Sou a Dra. Nayara Carvalho de Sá, mastologista titulada pela SBM e em mamografia pelo CBR, com fellow em imaginologia mamária. Se o seu rastreamento está atrasado ou um achado precisa de investigação, agende seu exame ou biópsia →

Referências

  • Simon SD, Bines J, Werutsky G, et al. Characteristics and prognosis of stage I-III breast cancer subtypes in Brazil: The AMAZONA retrospective cohort study. The Breast. 2019; 44: 113-119.
  • Duffy SW, Tabár L, Yen AM, et al. Mammography Screening Reduces Rates of Advanced and Fatal Breast Cancers: Results in 549,091 Women. Cancer. 2020; 0: 1-9.
  • Kopans DB. Diagnóstico por imagem da mama. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.

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