Alto risco para câncer de mama: quem é e como é o rastreamento

Quem é considerada de alto risco para câncer de mama, quando começar a mamografia e quando incluir a ressonância no rastreamento.
Mastologista Dra. Nayara Carvalho de Sá sorrindo ao computador no consultório em Belo Horizonte

Para a maioria das mulheres, a regra é simples: mamografia anual a partir dos 40 anos, como orienta a Sociedade Brasileira de Mastologia. Mas existe um grupo pequeno de mulheres que tem risco muito maior de desenvolver câncer de mama ao longo da vida. Para elas, o rastreamento é personalizado: começa mais cedo e, muitas vezes, inclui a ressonância magnética. Explico aqui quem faz parte desse grupo e como é o acompanhamento.

O que é ser de alto risco para câncer de mama?

Toda mulher tem algum risco de ter câncer de mama. Falamos em alto risco quando esse risco ao longo da vida é bem maior que o da população geral, em geral acima de 20%. Isso não significa que a mulher vai ter câncer, e sim que ela precisa de um acompanhamento diferente para que, se a doença aparecer, seja descoberta bem no início.

Quem é considerada de alto risco?

As situações mais comuns são:

  • Mutação genética confirmada, como nos genes BRCA1, BRCA2, TP53 e PALB2, ou ter parente de primeiro grau com mutação e ainda não ter feito o teste;
  • Histórico familiar importante: vários casos de câncer de mama ou de ovário na família, casos em idade jovem, câncer de mama em homem da família;
  • Radioterapia no tórax antes dos 30 anos, como no tratamento de linfoma;
  • Algumas lesões na biópsia que aumentam o risco, como a hiperplasia atípica e o carcinoma lobular in situ.

Quem decide se você está nesse grupo é o mastologista, avaliando a sua história e, quando necessário, usando calculadoras de risco.

Como é o rastreamento na mulher de alto risco?

O plano é individual, mas de forma geral:

SituaçãoRessonância das mamasMamografia
Mutação genética (ex.: BRCA)anual, a partir dos 25 anosanual, a partir dos 30 anos
Histórico familiar com risco elevadoanual, a partir dos 30 anosanual, a partir dos 30 anos (ou 10 anos antes da idade do caso mais jovem na família, não antes dos 30)
Radioterapia no tórax antes dos 30anual, a partir de 8 anos após a radioterapia (não antes dos 25)anual, a partir de 8 anos após a radioterapia (não antes dos 30)

Nas mulheres muito jovens, a ressonância é especialmente importante, porque a mama costuma ser mais densa e a mamografia sozinha pode não mostrar lesões pequenas. Por isso, associamos os dois exames.

Ultrassom substitui a ressonância?

Não. O ultrassom é um ótimo exame para investigar um nódulo, mas no rastreamento da mulher de alto risco ele não substitui a ressonância. Em alguns casos, quando a ressonância não pode ser feita, o ultrassom pode complementar a mamografia.

O que mais pode ser feito além dos exames?

Dependendo do caso, a conversa pode incluir:

  • aconselhamento e teste genético, para a paciente e para a família (entenda a mutação BRCA);
  • mudanças no estilo de vida que reduzem risco, como controle do peso, atividade física e menor consumo de álcool;
  • medicamentos que reduzem o risco e, para algumas portadoras de mutação, cirurgias redutoras de risco. Essas decisões são sempre individuais e feitas com calma, em consulta.

Quando procurar o mastologista?

Minha recomendação é que toda mulher passe pela primeira consulta com o mastologista a partir dos 25 anos. É nessa consulta que descobrimos se você está no grupo de alto risco e montamos o seu plano. Se você tem casos de câncer de mama ou ovário na família, não espere chegar aos 40. Veja o que levar na primeira consulta.

Perguntas frequentes

Tenho um caso de câncer de mama na família. Sou de alto risco?

Não necessariamente. Um caso em parente distante ou em idade mais avançada muda pouco o risco. O que pesa é quem teve (mãe, irmã, filha), com que idade, quantos casos existem e se há câncer de ovário ou em homem na família. Por isso a avaliação é individual.

Mulher de alto risco precisa fazer ressonância todo ano?

Na maioria dos casos de alto risco, sim, junto com a mamografia anual. O seu mastologista define a partir de que idade.

A ressonância das mamas tem radiação?

Não. A ressonância usa campo magnético e contraste, sem radiação. Por isso pode ser usada com segurança em mulheres jovens.

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Se você tem histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, ou nunca avaliou o seu risco, agende uma consulta. Atendo em Belo Horizonte, com consultas na Amara e exames e biópsias na Redimama e na Lume.

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