Imunohistoquímica no câncer de mama: para que serve e como entender o resultado

Após a biópsia, a imunohistoquímica revela o "tipo" do câncer de mama — receptores hormonais, HER2 e Ki-67 — e define o tratamento mais eficaz.
Dra. Nayara Carvalho de Sá segura o dispositivo usado na biópsia de mama guiada por imagem

Depois da biópsia que confirma um câncer de mama, quase sempre vem um segundo exame com nome complicado: a imunohistoquímica. É ela que responde à pergunta mais importante para o planejamento do tratamento: que tipo de câncer de mama é este? Neste artigo, explico em linguagem simples o que o exame avalia e como interpretar cada item do resultado.

O que é a imunohistoquímica?

É uma análise de laboratório feita no mesmo material retirado na biópsia — ou seja, não é preciso passar por um novo procedimento. Com marcadores específicos, o patologista identifica quais proteínas estão presentes nas células do tumor. Essa “assinatura” define o subtipo do câncer e orienta diretamente as decisões de tratamento.

O que o exame avalia

Receptores hormonais (RE e RP)

Indicam se as células do tumor respondem ao estrogênio e à progesterona. Quando positivos, o tumor é sensível a hormônios — e a hormonioterapia passa a ser uma arma importante do tratamento.

HER2

É uma proteína da membrana das células que, quando presente em excesso, se associa a um crescimento mais rápido do tumor. A boa notícia: tumores HER2-positivos hoje contam com terapias-alvo altamente eficazes, dirigidas especificamente a essa proteína.

Ki-67

Mede a taxa de proliferação — a velocidade com que as células do tumor estão se multiplicando. Ajuda a diferenciar tumores de comportamento mais lento dos mais acelerados.

Como o resultado define o tratamento

A combinação desses marcadores forma os subtipos do câncer de mama — luminal A, luminal B, HER2-positivo e triplo negativo — e cada um tem uma estratégia própria: hormonioterapia para os tumores com receptores positivos, terapia-alvo para os HER2-positivos e quimioterapia nos cenários em que ela traz mais benefício, como no triplo negativo. É o exemplo mais claro de medicina personalizada: o tratamento certo para o tumor certo.

Perguntas frequentes

Preciso fazer outra biópsia para a imunohistoquímica?

Não. O exame é realizado no material já colhido na biópsia, desde que a amostra seja adequada — mais um motivo pelo qual biópsias bem-feitas, com material suficiente, fazem diferença.

Quanto tempo demora o resultado?

Em geral, de uma a duas semanas após o laudo da biópsia, variando conforme o laboratório.

Estou com dúvidas sobre meu resultado — e agora?

Sou a Dra. Nayara Carvalho de Sá, mastologista titulada pela SBM, com atuação dedicada ao diagnóstico do câncer de mama por biópsias guiadas por imagem. Se você recebeu um resultado e quer entendê-lo com calma, ou precisa investigar uma alteração na mama, agende seu exame ou biópsia →

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